É notório o esforço dos povos para se livrarem se estígmas, como também é notória a existência de patetas que teimam em alimentá-los.
Na Vigilância Sanitária Municipal de Goiânia (Visa Gyn, para os íntimos) costuma aparecer gente de outras regiões para estabelecer negócios na cidade, a grande maioria se dá bem e não dá problemas, mas vez ou outra aparece um detrator de sua gente.
Certa feita, um paulista chegou à Divisão de Productos Químicos e Pharmacêuticos, o DPQF, para dar entrada nos papéis. A princípio não prestei atenção na proeminência abdominal, no olhar de nojo, nem nas bochechas inchadas do indivíduo, o sotaque denunciava sua origem: São Paulo. A certa altura, a atendente pediu a documentação e ele se recusou:
 – Pra quê que você quer meus documentos – perguntou, de nariz empinado?
 – Senhor, nós precisamos desses documentos para fazer seu cadastro…
 – Quê? Em São Paulo não precisa de nada disso – esbravejou interrompendo minha colega. Quem é você pra exigir meus documentos?
O triste espetáculo, porém, durou pouco. Ele exigiu falar com o chefe da Divisão, e a chefe foi. Mirtes é um anjo de pessoa, mas quando fica brava é pior do que cólica pré menstrual. Lá foi a Mirtes, cenho franzido, boca torcida pela contrariedade, passos falsamente calmos, pediu o lugar à minha colega e encarou o sujeito. E ele falou, e falou, e falou… Até que foi murchando, murchando, murchando… A Mirtes lá, irredutível. Vendo a fera com a qual havia se metido, começou a se explicar e, com a cara mais lambida do mundo soltou:
 – Mirtezinha…
 – Grrrr!!!
Até onde sei, ele se comportou. Acredito que conseguiu se estabelecer, não acompanhei seu caso, de onde pode-se deduzir que não haviam dificuldades coisa nenhuma. A exemplo de outros, ele fez o jogo do "se colar, colou"… Não colou. 
O triste disso é que os paulistas que chegam à Flor do Cerrado costumam dar exemplos de civilidade e disposição ao trabalho árduo. Esse povo não merece ser representado por gente como o da história aqui contada.
Gente do país e d’outras regiões do mundo, Goiânia é uma mãe aguardando mais filhos adoptivos.
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