Não são só os faróis, agora ele também será chinês.

Achavam que o Golf nacional estava defasado? Então vejam só isto;  Volkswagen agenda para 2014 o lançamento do Golf Blue E-Motion.

Notícia vista primeiro no Best Cars Web Site. (aqui)

Já anunciado diversas vezes ao longo de pelo menos dois anos, (aqui, aqui, aquiaqui, e aqui) ele finalmente está nas últimas etapas e, parece, em suas configurações definitivas. O mais certo é que (ele também) será produzido na China. A estrutura básica, para baratear, não foi alterada, aparentemente o assoalho do porta-malas é o mesmo, o que o faz perder cerca de um terço de sua capacidade.

O Golf eléctrico, além de fossilizar de vez o nosso, virá com uma respeitável motorização, com potência nominal de 69cv (pico de 115cv) e torque de 27,6 kgfm. Estenda-se potência nominal a máxima com que o motor foi feito para trabalhar, a de pico a que ele suporta por bem curtos períodos, mas que destruiriam um motor a combustão com poucas aplicações. Isto permite que o veículo arranque e retome velocidade como se fosse um carro muito maias caro e veloz.

As baterias, figurinhas fáceis, são as íon de lítio e fornecerão energia por 150km, que a montadora espera aumentar até o início da produção. Se está prometendo, acreditem, é porque encontraram a solução e a estão testando, ou talvez já estivessem lançando o carro. A máxima, por enquanto, é de 140km/h, a mesma do Fusca Itamar.

Haverão três modos de programação da condução: Normal, Comfort+ e Range+, este que limita a potência e garante mais autonomia, caso não se importe em ser ultrapassado por todo mundo e ganhar velocidade ao longo de vários quilômetros. A regeneração também pode ser regulada, para gerar mais ou menos energia, o que permite que o carro role mais ou menos livre por uma distância proporcionalmente maior ou menor… Juro que não vi tanta vantagem nisto, já que essa “liberdade” compromete a autonomia extra que a frenagem regenerativa oferece.

Parte da estratégia de marketing consiste em testar quinhentos exemplares a partir do ano que vem em condições reais, pela Europa, para adoçar a boca da clientela e colher pareceres e opiniões ao mesmo tempo. Os outros modelos também deverão ter suas versões plug-in em breve. o Acréscimo de peso é de 305kg, quase a capacidade de carga de um carro pequeno, chegando a obesos 1545kg em ordem de marcha (ver aqui) e o porta-malas perderá 113litros, o equivalente a uma mala grande. Parece que ainda acham caro e desnecessário usar painéis de PVC ou ABS, bancos finos e componentes estruturais de alumínio. Certo, o torque do motor eléctrico se garante, mas usar peças mais leves ajudaria muito. Quem for pagar a mais por um carro desses, que é mais caro mesmo com os incentivos que há por lá, não se importaria em desembolsar um pouco mais por um acréscimo evolutivo tão benéfico.

A mesma autonomia por uma fração do preço.

Elifas Gurgel, brasileiro honesto e com o dinheiro contado, conseguiu resultados proporcionalmente semelhantes com seu próprio Gol e está montando uma transformadora combustão-eléctrico no Ceará. A autonomia é a mesma do Golf que sabe-se lá quanto custou de investimentos, e a perda de espaço no porta-malas é praticamente a mesma… para um carro bem menor e mais barato. Seu site (Clube do Carro Elétrico) tem tudo explicado passo-a-passo (aqui, por gentileza), desde a compra do veículo até o sucesso que a Volks deveria usar como modelo e inspiração para seus projectos afins. Elifas chegou ao ponto de servir de embaixador da mobilidade eléctrica, insistindo nas cabeças duras dos burocratas para convencê-los que o veículo é viável e apto, se valendo de seu Golzinho para as devidas demonstrações práticas, inclusive para o ainda presidente Lula. Obteve êxito. Mas ele também preferiu manter as partes de chapa de aço no lugar, talvez para angariar a confiança do público. Eu trocaria por outras de fibra-de-vidro, pouparia entre cinqüenta e setenta quilos.

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