O volume no teto é o sistema de célula de combustível.

Elas, basicamente, convertem o hidrogênio em electricidade, separando-o de suas moléculas, deixando permear os eléctrons por uma membrana especial. No fim do percurso, ele se recombina, geralmente emitindo não mais do que vapor de água. Ou, nas palavras do site português Células de Combustível: “…é uma célula electroquímica que converte continuamente a energia química de um combustível e de um oxidante em energia eléctrica, através dum processo que envolve essencialmente um sistema eléctrodo/electrólito”. O facto de haver emissões, ainda que em princípio limpas, é um dos maiores alvos dos críticos que defendem a tecnologia plug-in (de baterias) com unhas e dentes. As emissões dependem do doador de hidrogênio, se for água ou etanol, não há problemas ambientais, apenas questão de disponibilidade maior de um ou o outro. Pessoalmente eu prefiro plantar cana para obter o combustível, é menos agressivo do que puxar água em grandes volumes de uma só vez dos leitos dos rios, a fauna e a flora aquáticas sentiriam menos.

Basicamente é assim que funciona.

 Os custos são inflacionados especialmente pela dependência de metais nobres, difíceis de encontrar e não raro de se trabalhar. Fora que a pureza do doador de hidrogêni deve ser muito elevada, encarecendo ainda mais os custos. Francamente, nada que pesquisa e a adesão do consumidor não resolvam. Mas o sistema talvez seja mais promissor como geração estacionária para a rede pública, já que permitiria instalações gigantescas, com equipamentos mais frágeis e eficientes.

O problema desses dispositivos electroquímicos é o custo. No site especializado em transporte coletivo Revista Autobus, há um esclarecimento detalhado a respeito. Na falta de empresas nacionais com porte e cacife, a canadense Ballard tem investido pesado no desenvolvimento de ônibus com células de combustível, está testando actualmente, em conjunto com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), um veículo com sua tecnologia mais recente (este). Um equipamento capaz de durar cerca de cinco anos sem dar problemas, e ainda não deu nenhum. O maior obstáculo é este ônibus custar 250% mais do que os à diesel, principalmente pela pequena escala. Não muito diferente do drama dos eléctricos com acumuladores.

Site da Ballard, em inglês, mas é bastante completo e relativamente fácil de se navegar.

A empresa de trnasportes BC transit (também em inglês) conta com vinte veículos à célula, a maior frota do mundo. A página é bonita, um pouco curta e grossa, mas bonita e fácil de ser consultada.

Mas engana-se quem pensa que são o último grito da moda em termos de tecnologia. O conceito é atribuído a William Grove (ver aqui) que teve a idéia em 1839, mas enfrentou o mesmo impecilho que o turbocompressor, a falta de tecnologia e metrologia necessários, só vingando a partir de 1959. Por isto ainda é tão caro e dependente de materiais raros. Avanços para ganho de eficiência existem (como este), mas os custos ainda assustam. Júlio Verne foi o primeiro a lardear que a célula de combustível, com o esgotamento das reservas fíosseis, traria uma era de prosperidade sem par à humanidade. Mas para quê esperar que o petróleo acabe?

No Brasil, os plantadores de cana-de-açúcar já demonstraram algum interesse, ainda ressabiados pela novidade.  Após o vexame (este) dado pelo protesto contra os caros eléctricos, perceberam que não ficarão pobres se souberem se adaptar aos novos tempos. As vantagens do etanol são diversas; facilidade de transporte, tecnologia barata, muito rico em hidrogênio, relativamente seguro se ser manipulado, baixa toxicidade, facilidade abundância de mercadoria. Além de que todo o carbono que um motor à etnol lança, não é mais do que o capturado pela própria cana durante seu crescimento, imaginem então uma célula de combustível. Só vapor de água e olhe lá. Ao contrário do “hidrogênio puro conseguido” na maior parte do mundo, a partir de gás fóssil, o de etanol teria impacto mínimo. Antes de ter um piripaque e me chamar de reacionário, clique aqui e comece a conhecer o que é o etanol brasileiro.

Temos tudo, exceto governo, para dominarmos o mercado mundial de veículos limpos. Não com mão-de-obra semi-escrava, mas com conteúdo e tecnologia desenvolvida aqui mesmo. São tantas as boas notícias que a grande imprensa deixa de lado, que estou com dificuldades em processar e lidar com todas. Se eu parar (nem pensar) de colher informações hoje, este blog tem conteúdo para mais um ano. É questão de tempo até que os metais nobres sejam dispensados, quase certamente que por cerâmicas, e cheguem às nossas casas como os televisores de plasma hoje o fazem… Hmmm! Seria muito bom dizer adeus à incompetência e precariedade das centrais de energia, que tiraram os trólebus das ruas do interior de São Paulo. É ou não um bom motivo para incentivar as células de combustível?

Anúncios