Muita gente pergunta o que há de tão difícil em se construir um carro Eléctrico. Gente leiga, mas atenta à evolução que se descortina. Eu respondo: Nada.

Um carro eléctrico é uma máquina mais confiável, econômica, simples e robusta do que os carros à combustão. E olha que um automóvel em geral é uma máquina robusta e confiável.

O problema é o custo. As baterias ficaram paradas no tempo por décadas, só há cerca de vinte anos elas começaram a evoluir de verdade. Elas respondem por até metade do preço do eléctrico zero quilômetro. Fora os custos dos controladores de alta tensão, que antes desta evolução tinham saída quase que somente para redes eléctricas. Resultado, quase tudo o que controla a carga e descarga das baterias é adaptado, por isto mesmo mais pesado e volumoso do que seria desejável. A exceção fica a cargo dos veículos desenvolvidos pelas grandes montadoras, que estamos carecas de saber o quanto estão atrasadas no desenvolvimento da mobilidade Eléctrica.

Para terem uma simples idéia, uma bateria chumbo-ácida da melhor qualidade não sai por menos de R$1.000,00 para alimentar um motor de um cavalo durante uma hora.

Nos Estados Unidos já não sai barato converter um carro de combustão para eléctrico, ou híbrido, mas é um hobby que a classe média pode bancar sem problemas, mesmo os considerados pobres podem fazê-lo, com paciência e algum tempo de economia.

No Brasil, onde só não se tacha a respiração porque ainda não descobriram como, sai muito caro. O preço da bateria a que me referi é no Brasil, lá é muito mais barata porque: é muito menos taxada, o volume de vendas já é bastante grande, é fabricada lá. Me refiro às já famosas baterias Optima, que por conta de sua arquitetura interna PATENTEADA, consegue uma descarga muito mais profunda. Explico; Tomemos uma bateria comum de 12 volts e 75 ampéres. Em tese ela deveria fornecer 900 watts de potência por hora, com tudo a favor ela realmente consegue, mas só uma vez e depois pode ser jogada fora. A maioria não consegue descarregar mais do que um terço de sua energia sem sofrer danos internos, com conseqüente queda gradativa e progressiva de capacidade, até ser totalmente inutilizada. Uma bateria que poderia durar cinco anos, digamos, vai para a reciclagem em poucos meses, se sofrer descargas profundas. Ver aqui e aqui.

As baterias usadas para tração, são reforçadas, com placas espessas e estrutura mais robusta, com isso elas conseguem uma descarga muito mais profunda sem problemas, mas custando e pesando muito mais. Geralmente conseguem descarregar mais de sessenta por cento da potência nominal, algumas até passam de setenta por cento. A tal Optima, por sua vez, pode debitar pouco mais de oitenta por cento sem sentir cócegas, com metade do peso das tracionarias comuns. Mas é uma arquitetura protegida por patente, eles têm o monopólio, então quem quiser tem que pagar o preço.

Mas não é só nas baterias que eles têm vantagem, até os carros usados são muito mais baratos por lá, a ponto de haver gente que simplesmente deixa o carro antigo na rua e vai comprar outro, deixando um bilhete de doação a quem quiser, porque lá basta ter o documento do veículo, que sempre está no porta-luvas. Fica a cargo de o novo dono conseguir manter o carro, mas até as peças são bem mais baratas por lá. Por isto mesmo eles costumam optar por converter um carro usado.

Quanto às baterias de íon de lítio, eu não confio nelas. Demandam um controle muito mais rigoroso e caro, e são muito mais caras por cavalo do que as já citadas. Mas se quiser bancar a extravagância, elas têm muito mais energia por quilograma do que qualquer outra disponível no mercado.

Por tudo isso quase todo o material que encontrado é em inglês, com aqueles sotaques debochados dos americanos.

Para quem quiser e puder tentar, porque é bem caro, sugiro aliviar o carro, deixar o preconceito de lado e fazer peças de fibra de vidro, PVC e alumínio, usar rodas de alumínio no tamanho original e até mesmo trocar os bancos por outros mais leves. Acreditem, fará diferença, especialmente se for uma conversão de baixa potência em um carro leve, que é o que quase todos fazem.

Aqui um tutorial em inglês para fazer a conversão: 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, e o test drive do belo, e injustiçado, Dodge Neon convertido 09.

Para não dizer que ninguém no Brasil faz isso: uma Kombi eléctrica e um Fusca eléctrico. São muito mais simples e suados, mas pelo menos foram feitos, não esperaram pela ajuda ou cooperação do governo.

Abaixo um vídeo de um homem que está acostumado a converter carros já velhos para eléctrico, já tem tanta prática que sua equipe o faz em um dia ou menos.

Nunca soube de alguém que tenha feito o serviço direito e se arrependido.

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