Eis um exemplo bem-sucedido de conversão combustão-eléctrico (neste blog). Dica do site ABVE (associação brasileira do veículo elétrico).

Eric Tischer, um americano de classe média da Califórnia (média alta para nossos padrões terceiromundistas) comprou um Passat ano 2001 para realizar seus intentos. Já disse aqui que carro usado, fora do Brasil, não vale nada, pois só nós enxergamos algo que se desgasta (usando ou não) como investimento. Por aqui este modelo ainda custa caro, mais para manter com peças do que para comprar, claro. Aos felizes e preocupados proprietários, sugiro que recorram à importação via mercosul, nossos vizinhos não têm os problemas aduaneiros e politiqueiros que afligem nossos automóveis. Ele diz ter pago US$ 1800,00 pelo carro… Pouco mais de R$ 3500,00 em valores de hoje… O preço de um Gol Tijolinho em razoáveis condições…. Deixa pra lá.

Voltando ao caso, o belo e discreto Passat já rodou mais de vinte e dois mil quilômetros desde a conversão, sempre recebendo aprimoramentos. A grande vantagem neste caso é o profissionalismo com que o bloqueiro trata do projecto. No blog “The Electric Passat” há esquemas eléctricos, projectos, dicas de custos, fornecedores, soluções encontradas, resultados de testes de desempenho e eficiência, vídeos, actualizações com os aperfeiçoamentos e tudo mais. Até agora o recorde do carro é de 174km/h, conseguidos com os 83,5hp do motor usado na Ford Ranger Eléctrica, que empurram as pouco mais de duas toneladas de um carro médio-grande recheado de baterias íon de lítio de última geração. De 0 a 100 ele faz em cerca de 15,6s. Aceleração discreta, se comparada à original, mas é um carro com duas toneladas e cerca de metade da potência original, o original completo não chega a 1600kg. Um factor que pesou na escolha do modelo é a aerodinâmica, o Cx é de 0,27, o mesmo do nosso antigo Vectra redondinho; mais baixo do que o do Astra com falsidade ideológica que nos vendem como Vectra. O que isto significa: Ele corta o ar com facilidade, poupando energia e aumentando a autonomia, cerca de 250km. O habitáculo está imaculado, com espaço para cinco ocupantes, só quem conhece o carro sabe que está andando com electricidade, em vez de gasolina.

Outro pró deste blog é a disponibilidade das informações. Absolutamente nenhuma me foi negada, chegando ao ponto de eu passar o cursor sobre algumas imagens e a mãozinha tomar o lugar da seta.

O porta-malas está tomado por controladores, mas ainda resta um bom espaço. Cada bateria é controlada por uma placa individual, um requinte que eu nunca vi em projectos industriais, por ser caro e difícil de monitorar, mas nosso amigo está fazendo o serviço pesado. Com certeza ele está bolando um modo de desocupar o espaço das malas. Aqui me vem um pensamento que há muito me martela a cabeça, o de que o caminho para o totalmente eléctrico é o dos carrões, que acomodam o volume e suportam o peso das baterias necessárias a um bom desempenho. Carros pequenos ainda não comportam uma quantidade razoável sem expulsar o banco traseiro, ou sem alterações profundas na arquitetura do veículo.

Por fornecer sua própria mão-de-obra, os custos estão na casa dos vinte mil dólares, mais de dez vezes o valor do carro, mas ele não se arrepende. A revista Wired (here) de 19/05/2009 publicou uma nota que está repleta de comentários, além de photographias que o próprio Eric cedeu.

Temos no Brasil (como lá) muita gente com muito mais condições do que nosso amigo, mas ele deu de ombros para as dificuldades e se pôs a fazer. Apenas o fez com profissionalismo e organização, pelo que já tinha em mente algo bem próximo do que queria, eliminando a maior parte da etapa tentativa-erro que todos enfrentam, o que até barateou a empreitada. Agora que ele quebrou a cara e fez os acertos por nós, não parece mais fácil? Tens bufunfa e queres fazer o mesmo com Vectra antigo? Entre lá, sirva-se e agradeça ao Eric.

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