Ainda são vítimas de preconceito, bem mais do que os carros e caminhões eléctricos, basicamente.

A maioria dos fãs de motocicletas gosta de ouvir o ronco do motor, a ponto de a Harley Davidson ter patenteado seu ronco mais clássico. Acontece que isto se resolve com um sampler (ou um sintetizador) e uma caixa de ressonância, que pode ter o formato do escapamento. A agilidade tão apreciada é até maior com magnetismo do que com explosões alternadas.

Além das chinezinhas que estão invadindo o mundo, graças (puxão de orelhas no Estado brasileiro) à facilidade de trabalho e à  falta de burocracia que a China oferece aos seus empreendedores, há uma americana que está tirando suspiros até dos mais arredios; A Zero Motorcycles. Apesar de muito caras, elas encantam por conseguirem rodar a mais de noventa por hora por uma hora, sem pesar uma tonelada. Além das baterias de lítio de última geração, elas ainda têm uma engenharia específica para elas, usando materiais leves e geometrias que optimizam a resistência do quadro. Andando em trânsito urbano, sem pressa e sem paradas, elas rodam duas horas ou mais sem problema. A aceleração é digna de super esportivas, só se ouvindo o pneu traseiro fritando o asfalto. Para uso cotidiano é mais que suficiente, para patrulha de trânsito é muito mais que suficiente, até porque a carga total se dá em menos de quatro horas e pode ser feita em intervalos. E convenhamos, dêem uma olhada na máquina e digam se não impõe respeito! Para viajar ela tem sérias limitações, ainda, mas para tudo o que se faz na cidade ela sobra. Ela e os outros modelos da marca Zero, que não patrocina este blog e não me deu nenhuma de presente, fiquem tranqüilos.

Ainda não há uma revenda oficial no Brasil, mas as empresas que fazem importação e regularização de veículos antigos para colecionadores (dois exemplos) costumam aceitar o serviço. Sai mais caro? Sai, mas a exclusividade e a inovação estão garantidos na tua garagem, com um custo de manutenção ridiculamente pequeno. E se algumas começarem a desembarcar por aqui, a fábrica abre o olho.

Há ainda pessoas, quase sempre os americanos, doidos, que convertem motocicletas, como fazem com os carros. Aqui temos um site com tudo passo a passo, inclusive peças e custos em dólar. Aqui temos um vídeo de uma conversão de uma Jawa, se não me engano, para electricidade. E logo a seguir a conversão de uma Kawasaki arrematada, como muitas super motos que são leiloadas, com motor e câmbio totalmente destroçados, pelo Detran.

Algo interessante também é este artigo sobre bateriasa de níquel-ferro, criadas por Thomas Edison, e utilizadas nos automóveis Detroit. Cem anos depois, as baterias originais ainda funcionam. Ver aqui. Na época tinham cerca de 7,5 ou 8kg/cv como relação peso-potência útil, já descontando as perdas de um motor de boa eficiência. São mais pesadas que as de lítio, mas a confiabilidade e a simplicidade de construção, já que não explodem a qualquer toque na linha de produção, compensam largamente. E o Brasil é rico em minério de ferro, além de níquel para dar e vender… Temos tudo para dar uma surra nos orientais em termos de mobilidade eléctrica, mas por questões politiqueiras estamos levando uma há anos.

Para quem quiser ousar mais, há links de motores sem bucha (bhusheless) feitos por pessoas físicas, sendo um bastante profissional, um a título de aprendizado e um minúsculo, capaz de girar a 108000rpm. Respectivamente aqui, aqui e aqui. Assevero que muita gente, inclusive os que caem neste blog acidentalmente, tem condições de fazer algo assim. Estes motores são extremamente eficientes, apenas precisam de uma boa escala de produção para serem atraentes, o que inclui ter muita gente fazendo.

Há no Youtube uma página (aqui) só sobre conversão de veículos, que pode muito bem auxiliar os leitores. Apesar da diferença estrutural entre carros, caminhões e motocicletas, os esquemas são basicamente os mesmos e servem para todos, com poucas modificações.

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