Juro que quero, com sinceridade, que a presidente Roussef tenha uma boa conversa com o presidente Obama, quando ele desembarcar no  Brasil, em Março próximo.

Talvez por questão de boas-vindas, a página (esta) do Ministério das Relações Exteriores publicou um texto de Denise Chrispim Marin (este) sobre o trabalho que ele tem feito para livrar os Estados Unidos da dependência do petróleo.

Caminhão Fora-de-estradaEnquanto a imprensa se regozijava com as aparentes derrotas políticas dentro de casa, ele estruturou sem alarde uma política de modernização e inovação para tirar seu país do círculo vicioso em que se encontra, no qual importa suas próprias marcas de gente com ideologias totalmente contrárias à americana, mas que consegue preços baixos pelo uso de tecnologias defasadas e mão-de-obra super explorada no processo de produção. Com isto muitas empresas estão voltando a fazer em seu território o que terceirizava de ouros países. Só a Caterpillar, que já produz (aqui and here) gigantescos caminhões de tração híbrida,  prometeu duplicar o número de empregos.

O maior foco, entretanto, é o da energia limpa e renovável, que permitirá ao americano utilizar à vontade, sem o medo dos anos setenta e oitenta de se ter uma parafernália em casa, mas sem meios de colocar tudo para funcionar. Será a volta do sonho americano em versão adulta e ciente do que pode fazer? Quem sabe.

Disse o presidente, para justificar os incentivos aos veículos eléctricos, que o etanol tem sérias limitações nos Estados Unidos, que é a produção de milho para alimentação, algo que a nossa cana-de-açúcar não teme. Além de nossa tecnologia canavieira já estar muito avançada e com uma produtividade muito mais alta do que o mais delirante optimista dos anos oitenta poderia imaginar. Isto nos dá alguma vantagem, mas é por isto mesmo que espero que a conversa de Dilma e Barack se alcem a estes domínios, para que nossa vantagem (ainda) segura não se torne uma armadilha. Nosso etanol tem tudo para ser um fornecedor poderoso para células estacionárias de combustível, que por assim serem são mais seguras e permitem instalações impensáveis em um automóvel.

Alguém pode dizer que por lá as termo eléctricas geram grande parte da energia, e que portanto só se estaria transferindo a poluição. Meia verdade. Acontece que os motores utilizados para estes fins são regulados para um funcionamento em uma faixa estreita, portanto mais previsível, de rotações, são mais eficientes do que motores de automóveis da mesma geração e podem ter sua exaustão controlada por filtros e catalizadores desproporcionalmente maiores, o que inviabilizaria o uso de um carro. Apesar de não parecer a olhos leigos, a de muitos profissionais não familiarizados, há ganhos ambientais.

Se antes eles se aproximaram de nós por questões políticas em uma crise (a Segunda Guerra Mundial) sem precedentes na história da humanidade, hoje nossos interesses e necessidades estão mais ou menos alinhados.

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