Sem alarde, anunciamos o Rolls Royce 120EX

A marca sinônimo de nobreza no mundo inteiro, e hoje tutelada pela BMW, anunciou que o salão de Genebra contará com o 120EX, um eléctrico baseado no sedã Phanton. A título de informação, ele tem 1,561m de altura, 1,99m de largura e 5,669m de comprimento em versão normal. As portas traseiras, para facilitar o acesso, especialmente de idosos e deficientes, são reversas, as famosas “suicidas”; hoje o termo não caberia mais, mas ainda persiste. São mais de 2,5 toneladas de robustez, perfeição mecânica e segurança. O 120EX não deve ser muito mais pesado do que isso, mas é plausível pensar ao redor de três toneladas.

Símbolo de quem não dá a mínima para o tamanho de suas despesas pessoais, quanto  mais consumo de combustível, a Rolls Royce surpreendeu o mundo com a notícia. Com a serenidade quase arrogante que sempre a caracterizou, a marca simplesmente anunciou que será apenas um protótipo para testes de aceitação do público, e que outros protótipos serão exibidos nos países onde é mais forte; sim, o Brasil está excluído, de forma elegante, mas irremediável.

Nada foi dito sobre desempenho, autonomia ou qualquer dado técnico, simplesmente porque a Rolls não se preocupa em divulgar números. Mas posso adiantar o que se dirá do motor: Potência – suficiente; Torque – suficiente; Autonomia – suficiente. Baterias: Voltagem – suficiente; Amperagem – suficiente; Número de células – suficiente. Afinal o direito de uso da marca pertence à BMW, a marca em si já são outros quinhentos; a Rolls Royce tem vida própria.

Na realidade a Rolls Royce tem uma tradição de cento e quatro anos no mercado, nos quais seus carros só dão problema se o motorista fizer algo de errado. Eles não querem sequer arranhar esta imagem. As letras “RR” eram, no início de sua história, vermelhas, mas ficaram pretas em luto, com as passagens de seus criadores, que eram amigos fraternos. Charles Stewart Rolls e Sir Henry Royce, dois obcecados por automóveis e insatisfeitos com a precaridade mecânica da época, fundaram a Rolls Royce em 1904, guarnecidos pelos melhores técnicos e artesão da época, como é até hoje. O luto veio com um acidente de avião que matou Henry em 1933. Hoje as famílias Rolls e Royce se ocupam em fabricar turbinas de aviação (O Concorde usava turbinas Avon da Rolls Royce) com a marca, as sucessivas crises as obrigaram a vender os direitos de fabricação dos automóveis, mas o nome “Rolls Royce” ainda lhes pertence. Para eles é “faça perfeito ou não faça”.

O que isto tem a ver com a conversa? Tudo. O que está em jogo aqui é mais do que a corrida pelo melhor plug-in do mundo. A obsessão da marca pela perfeição a faz muitas vezes se atrasar em relação às demais, em certa época seus carros chegaram a ser anacrônicos. Tudo o que fabrica é testado até a completa destruição, inclusive as ferramentas e o guarda-chuva que vai em um espaço dentro da porta. Isto pode levar muitos anos.  A Rolls Royce não estava indiferente ao novo advento do carro eléctrico, estava trabalhando em silêncio para produzir o melhor carro eléctrico que pudessem. Não está preocupada com custos, seus clientes não estão preocupados com custos. Após os próximos anos, o carro que sair dos testes e das impressões de mercado só não será perfeito porque a perfeição não existe. Será veloz, terá boa autonomia e o dono não vai esquentar a cabeça com manutenção.

Provavelmente as únicas diferenças que a clientela notará serão o modo de abastecer, o manual do proprietário e o baixo custo de manutenção, porque em silêncio e maciez esses carros ganham de qualquer eléctrico disponível actualmente.

A notícia é tão importante que toda a imprensa especializada, e até a simpatizante, se assanhou de pronto (ver aqui, aqui, aqui, até a wikipédia já tem aqui e uma penca de relacionados aqui) para dar em primeira mão. Preciso dizer que cartões de memória photograpica inteiros serão dedicados ao protótipo, durante o salão? Não pela aparência, pois a grade, a Flying Lady (aquela moça que enfeita o capô) e as proporções clássicas serão mantidas. As lentes focarão os detalhes que denunciarão as mudanças.

Vídeos? Que vídeos? A Rolls Royce rechaça publicidade antecipada. Mas para quem quer conhecer o Phanton, eis uma reportagem aqui:

Mais uma notícia!

A importância da notícia acima ofuscaria esta, mas é algo tão simpático e menos distante de nós, pobres mortais, que vale à pena uma nota da Best Cars (ver aqui). Por isto a anexei aqui.

O Salão de Genebra também mostrará uma versão eléctrica do pequenino Smart. Será o conceito Forspeed, que também testará a reação do público. trata´se de um carrinho aberto, para dois passageiros, um pára-brisas mínimo e redesenhado para chamar atenção, ao contrário do 120EX. A capota não cobre os ocupantes, só cobre o banco que não estiver sendo usado. Com o caro sem uso cobre os dois. Mas é um conceito e, se for fabricado, certamente haverá uma capota rígida de plástico ou fibra de carbono.

A impressão à bordo deve ser a de uma motocicleta onde o carona viaja ao lado, só que sem o risco de cair nem o medo de se ferir em um acidente de trânsito.

Aqui sim, temos números. São 41cv, vai de 0 a 100 em 5,5s, mas a máxima estaciona sem apelação em 120km/h. A autonomia é de 130km, mais que o dobro do que a maioria dos proprietários de Smart costuma rodar em um dia.

Não que a Daimler Benz negligencie sua qualidade, mas a marca é menos exclusiva e desdenha menos o mundano, e a Smart é a divisão mais acessível do grupo, cujo top é a Maybach, que ainda não se pronunciou a respeito de híbridos ou eléctricos. Para nós, o carrinho com cara de brinquedo aí é o mais próximo da realidade.

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