Você tem que me amar!

 A limitação dos carros a energia solar não é somente a eficiência de suas células. Se um dia chegarmos a cem por cento virtuais de eficiência, ainda restará a quantidade de energia que cada metro quadrado recebe do sol. Não é muito, ao menos não para o uso a que um carro se destina. A empresa que mais se destaca neste sentido é a franco-monegasca Venturi.

A venturi (aqui) é uma empresa sediada em Mônaco (como coube lá?) que produz carros a anergia eléctrica. Inclusive o único concorrente à altura do tesla roadster, o Fetish. Um de seus chamarizes é o conceito híbrido Astrolab. Híbrido porque combina 3,6m² de placas photovoltaicas, que geram até 600wh, com baterias de Níquel-Hidreto metálico, de 72V e 100Ah, estas que chegam a permitir descarga completa sem danos. O motor de 16kwh (21,76cv) e cerca de 5kgfm empurra o carrinho de dois lugares, um atrás do outro, a 120km/h, com uma hora de autonomia. A carroceria revestida de placas solares podem aumentar sensivelmente esta autonomia. Em trânsito urbano a baixa velocidade pode e as freqüentes paradas podem manter a carga das baterias sempre alta. O bico-de-águia na dianteira do Astrolab, na imagem, é comum a todos os carros da marca, mais ou menos discreto, sejam conceitos ou carros de linha. Quanse como a estrela da Mercedes. O desenho do corpo em laranja é pensado para fazer o ar fluir com facilidade na parte de baixo, já que a de cima precisa ser plana. Embora estrague um pouco a estética, reduz a pressão sob o carro, aumentando a estabilidade.

Em suma, a energia solar em automóveis é complementar ou suplementar, são poucas as situações em que um teto e um capô forrados de caras e frágeis placas solares podem suprir sozinhas as demandas do veículo. Elas chegam a custar mais que o quíntuplo de uma boa bateria com a mesma capacidade e pesar até o triplo. É mais uma tecnologia que ficou parada no tempo por décadas por falta de interesse e vários outros motivos, não só falta de caráter de quem atrapalhou.

A melhor aplicação para placas solares é onde o tamanho, o peso e o preço signifiquem pouco, ou não tanto quanto nos carros. Ônibus rodoviários, articulados e bi-articulados, metrôs de superfície, os enormes caminhões-tratores com seus baús gigantescos, locomotivas e vagões ferroviários, são as aplicações móveis mais promissoras, onde a energia solar pode fornecer quantidades mais significativas de energia, com uma participação menor no preço e no peso veicular. Em aplicações estacionárias, porém, elas encontram seu elemento, no actual estágio tecnológico. Podendo ficar o fia todo exposto, um painél pode revestir o telhado (ou tejadilho) de uma residência ampla e de alto nível, reduzindo ainda mais as despesas com um carro eléctrico. Dependendo da família, como em casos onde todos passam o dia fora, em dados momentos a casa poderia até vender energia para a rede pública.

Existem protótipos caríssimos com painéis caríssimos que conseguem desempenhos extraordinários. Mas são protótipos e suas células solares costumam ser tão frágeis e durar tão pouco quanto são caras. Mesmo os painéis comerciais que geram mais do que 200wh/m² enfrentam problemas com sua durabilidade, consideravelmente menos do que as que geram até 150Wh/m², por um preço bem mais salgado.

Para quem nunca ouviu falar do Fetish, ou só ouviu por alto e nunca teve detalhes do bólido:

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