As vantagens são muito maiores do que podem parecer.

A idéia é simples. Um reboque, aparentemente comum, salvo pelo trabalho de design, dotado de um gerador à diesel, que pode estender a autonomia para mais de mil quilômetros. Conta ainda com baterias que alimentam um motor no próprio reboque, subordinado ao acelerador do caro. Qual a vantagem? A vantagem  é dar tração a pneus que em reboques comuns são simplesmente arrastados pelo carro, o que aumenta as perdas por rolagem. A resistência ao rolamento de uma roda tracionada é menor, portanto poupa energia e faz a idéia ser mais viável A solução posta em prática pela EMAV (here) custa quase onze mil euros. É caro, mas se trata de uma novidade que deve deslanchar na mesma proporção em que os veículos eléctricos se popularizam. Este reboque permite até cenas bizarras, como um ciclomotor o conduzindo, já que ele tem fonte própria de energia e mobilidade. Seria o reboque empurrando o veículo.

Existe já em prática, na Europa, a recarga por ressonância, onde elementos enterrados próximos à superfície do asfalto aguardam pela chegada de um veículo.  Quando este chega, comunica-se por rádio e localiza a placa mais próxima, que envia carga para as baterias, da mesma forma como o prórpio motor funciona. Isto pode ser inclusive aperfeiçoado e instalado em rodovias, para que veículos eléctricos possam rodar à vontade, apenas pagando como se paga em uma residência, pela energia consumida. Simples, sim, ma muito caro e complexo. A instalação deste sistema implica em remover toda a capa asfáltica existente em uam rodovia, ou no mínimo fazer escavações e valas para a instalação, que depois seria recoberta por asfalto novo. Imaginem isto em um país do tamanho do Brasil. A vantagem é que os riscos de eletrocução praticamente inexistem.

Um reboque deste tipo traz outras particularidades. Ele é bem mais leve do que um carro, pois não precisa de sitemas de salva-vidas, de conforto, acabamento, vidros, entretenimento, enfim, toda uma carga que o carro leva e do qual o reboque está dispensado; suas baterias rendem mais com isso. Há também a questão aerodinâmica, o reboque bem desenhado (não o que temos no Brasil) dá continuidade ao perfil do carro, tornando mais esguio, retardando e reduzindo a formação de turbulências. São elas que desestabilizam e formam o vácuo que retarda o avanço do carro, como se a resistência frontal já não atrapalhasse o bastante.

A idéia com certeza é exclusividade da EMAV, o que não impede sua aplicação  por particulares para uso particular. Uma carretinha de entrega, de uma motocicleta ou um carro pequeno, pode ter bons resultados com cinco cavalos, usando baterias chumbo-acidas nobres e um controle que qualquer estudante de técnica em electrônica pode fazer. A ausência de uma caixa de transmissão faria o motor eléctrico render comparativamente mais do que o do carro, reduzindo consideravelmente o consumo em trãnsito urbano. Uma picape com um reboque feito a partir da mesma caçamba que a equipa, teria a vantagemextra da aerodinâmica e as já citadas nos parágrafos acima, além da uniformidade estética .

Por falar em picape, a empresa tem um projecto interessante. Uma pic-up média-grande (para os padrões deles) híbrida, chamada REEV, ou range-extended electric vehicle. Sem maiores detalhes, se utiliza de um gerador de 1,2  ou 1,8 litros, funcionando sempre em regime de potência máxima, de 45 a 90kw, para acelerar a recarga das baterias. Por trabalhar em um reguime estreito de rotação, o balanceamento e o gerenciamento electrônico ficam mais fácieis e eficazes. A idéia com ela é vender seu sistema de extensão de autonomia veicular. Mas sejamos sinceros, é um carro bonito. Não havendo o excesso de agressividade das picapes actuais, que só serve para aumentar o arrasto aerodinâmico, os danos de uma colisão e a gravidade de um atropelamento, ela cai bem no meu gosto, pelo menos. Gosto de desenhos harmoniosos. Lembra um pouco a saudosa F-1000 Deserter dos bons temppos da Souza Ramos. mas isto é outra história e nada tem a ver com mobilidade eléctrica.

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