O porto de Los Angeles (here) com link permanente ao lado, tem um programa  muito interessante de caminhões limpos. Trata-se de um incentivo formal (here) ao uso de veículos de baixa ou nenhuma emissão para o serviço. Os caminhões normais não estão excluídos, para alívio dos que não aderem á idéia seja qual for o motivo, mas lhes é disponibilizado o programa.

Um dos motivos para a não adesão é o imenso território americano, que é banhado pelos oceanos Atlântico e Pacífico. É normal o cidadão comum e com pouca instrução técnico-científica temer ficar no meio do caminho, com as baterias arriadas. Além do quê elas ainda pesam muito para a energia que fornecem, roubam um pouco da capacidade de carga do bruto. Mas é uma resistência que está sendo minada pouco a pouco, principalmente com o argumento do baixo custo operacional. Aqui um vídeo demonstrativo do monstro:

Um dos projectos de maior sucesso é o da Vision, que converte os caminhões Freigthliner (here) para motorização eléctrica. A Freitghtliner é concorrente directa da Kenworth(here), que se gaba de fazer os melhores caminhões do mundo, o que aquela nega e põe a prova há décadas. É uma briga que conta até com torcidas, quem gosta de uma marca geralmente menospreza a outra. Ambas contam com um leque amplo de productos.

A Vision (here) rebatiza como Tyrano o caminhão convertido. Por conta das facilidades de espaço e força que um carro de passeio não tem, ele carrega baterias suficientes para rodar mais de 660km sem recarga, podendo despejar 550cv no asfalto, tornando qualquer carga leve com os absurdos 2860kgfm de torque. Não, não está errado, o motor trifásico produz 2860kgfm assim que o motorista enfia o pé no acelerador. Aja engrenagem para agüentar tanta força de uma só vez! Para a maior parte dos fretes é mais do que suficiente, dá para fazer a Rio-São Paulo e ainda passear pela cidade, depois da entrega feita. Lembrando que ele conta com frenagem regenerativa.

Aqui um vídeo da apresentação do caminhão para The Governator:

Dá para se fazer o serviço em caminhões brasileiros? Sim, dá. Basta haver interesse e este ser maior do que o medo pela novidade. Provavelmente a Volvo se adiantaria, havendo uma proposta concreta, a Agrale (100% brazuca) já produz microônibus eléctricos em parceria com a usina de Itaipu, e já testa um ônibus médio híbrido (este aqui) com carroceria Marcopolo (100% brazuca) e motor Siemens (aqui e aqui), então certamente também se disponibilizaria para negócios. Aqui o vídeo de divulgação deste ônibus. Sim, a mentalidade do empresário nacional, para a minha triste surpresa, evoluiu muito mais e mais rápido do que a do estado.

Outro mimo ecológico que o porto oferece é energia eléctrica para os navios atracados. Para quem não sabe, em quase todos os portos do mundo, inclusive todos no Brasil, os navios precisam queimar combustível para suprir as necessidades internas da tripulação. Em los Angeles este custo foi eliminado. O navio atraca, o porto joga uma tomada de força e eles poupam diesel. De quebra, com todo o maquinário parado, a manutenção preventiva fica mais fácil e segura. Isto conta ponto a favor, na hora de uma administradora escolher o porto onde seus navios operarão, pois a economia não é só de combustível, lubrificante e peças, é também humana. Os tripulantes trabalham mais satisfeitos, com um padrão de vida maior e onerando menos o seguro. Alguns malandros aproveitam para armazenar electricidade em baterias, para emergência; lá fora elas são muito mais baratas, a diferença pode passar de 75%. O ambiente mais limpo também atenua o embrutecimento que o trabalho rude impõe aos homens, o que se reflete também no ambiente doméstico e social. O ganho é generalizado.

Já os nossos portos, inclusive (este) o de Santos, não têm qualquer menção proposta semelhante. Nem mesmo as tomadas para navios atracados. Devemos admitir que já foi muito pior, que houve época em que aquele porto não passava de cabide de empregos, mas a demora em adoptar propostas comprovadas como a de Los Angeles é tal qual a dos anos oitenta. Aliás, a mentalidade do poder público como um todo é da primeira metade dos anos oitenta. Sim, já melhorou muito, é quase paradisíaco perto do que eu via todos os dias em jornais, mas ainda estamos muito defasados, não só em termos técnicos e ambientais, mas principalmente na nossa mentalidade.

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