Se bem que ele tem mesmo cara de eléctrico!

Após as experiências bem-sucedidas, apesar de caras, com  50 Palio Weekeend e os caminhões Iveco, Fiat e Itaipu estão para lançar seu mais novo atrevimento (aqui, aqui e aqui). Até Outubro o consórcio espera homologar (haja paciência para essa burocracia!) o Uno eléctrico, batizado de Uno Ecology Elétrico, procedimento necessário para produzir os trezentos exemplares no próximo ano, volume que configura actividade de montadora.

A decisão se deve aos excelentes resultados obtidos com a família Palio,  tanto tecnicamente quanto o sucesso com o público. O Uno (vulgo Fiat Playmobil) é mais leve do que a perua e receberá motores Weg mais potentes, entre 18 e 21kwh, ou 24,48 e 28,56cv, conferindo um desempenho similar ao modelo 1,0l. Também há a iniciativa de trocar as peças plásticas opacas por outras de bioplástico, feito de bagaço de cana, revestimento interno de pet reciclado, bancos de látex com fibra de coco, e um pequeno painel photovoltaico no teto.

O que encorajou o volume pretendido, além do sucesso dos protótipos, é a redução de custos que a escala dará a cada unidade, deixando-o mais próximo das concessionárias. Acontece que os veículos produzidos serão todos para a frota da hidrelétrica, lamento.

As baterias são as mesmas dos outros modelos, de sódio, importadas da suíça, mas com claras pretensões da Fiat de produzí-las aqui. Aliando-se isto ao volume, que pode aumentar em uma segunda edição, os quase R$150.000,00 da Weekend eléctrica podem cair muito, arrisco  menos de cem mil. Ainda é caro, sim, mas é uma evolução que o comodismo da relação custo X benefício é incapaz de oferecer. Para dois ou três anos, quem sabe a segunda geração do Uno Playmobil tenha uma versão eléctrica de série, com desempenho e autonomia para pequenas viagens em estradas de alta velocidade.

Houve duas tentativas (aqui) antes de a Fiat comprar a briga, ambas pela cabeça-dura do Amaral Gurgel. Uma em 1974, com o pequeno monovolume de dois lugares Itaipu, com 4cv e autonomia de 80km a 50km/h; só uso urbano mesmo, impensável para o Brasil da época. Depois em 1981 com o utilitário E-400 (pic-up e furgão) que chegava a 75km/h com seus 13,6cv, também rodando 80km sem recarga. Tardiamente foi desenvolvido um protótipo do E-500, que rodaria até 120km, valor nunca confirmado. As baterias de chumbo-acido pesavam, no utilitário, 600kg. Tire a mecânica, o tanque e o isolamento acústico do Uno comum e provavelmente pesará até menos.

Eu só acrescentaria um detalhe ao projecto. O Fiat Tipo tinha a tampa traseira feita de plástico industrial, de alta resistência. Me consta que não costuma dar problemas, na verdade é mais fácil ver o carro todo enferrujado do que a tampa traseira danificada. O uso de plástico injectado em portas, pára-lamas, capô e tampa traseira pouparia no mínimo cinquenta quilos, além de prescindir de tratamentos anti-corrosão que encarecem as peças de aço. Afinal, sejamos honestos, trata-se de um projecto da Fiat para se tornar a pioneira e maior fábrica de carros eléctricos da América Latina, a parceria com a Itaipu e (inesperada) Petrobras é uma mão na roda para acelerar e baratear o desenvolvimento de seus modelos. Bem, não deixa de ser uma ambição legítima, quem sabe assim as outras acordam.

Aqui um vídeo gentilmente disponibilizado para compartilhamento por Eduardo Hoffmann (videolog):

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