O que ele come na compra, poupa várias vezes no uso.

Notícia do Motor Dream (aqui)  e no site da Volvo (aqui) que pode alegrar os frotistas, pois as inovações tecnológicas sempre chegaram antes aos caminhões do que aos carros. O facto de um caminhão top de linha, com o que há de melhor em cavalo e reboque, passar facilmente de um milhão de reais, ajuda a diluir os custos dos avanços.

A Volvo Caminhões (há muito separada da Volvo Automóveis) lançou na Europa o modelo FE, a versão híbrida do cabine avançada FH. O bruto conta com um belo seis em linha, que por si só já é muito eficiente, de sete litros, que gera bons 340cv@, que se associa com um eléctrico de 120kw, ou 163,2cv, este abastecido por duzentos quilos de bateria de íons de lítio, com tensão nominal de 600V.  Por precaução (excessiva) e para preservar seu nome, o FE roda só um quilômetro só com electricidade, após o quê o seis em linha passa a trabalhar em paralelo. Deduzo que seja para evitar emissões em lugares com pouca ventilação, como pátios lotados ou galpões.

As baterias são alimentadas por um sistema semelhante ao kers, da fórmula 1. O motor à diesel é desligado quando o caminhão pára, para a arrancada é o motor eléctrico que quebra a inércia, quanto então voltam ambos a trabalhar juntos. Imaginem um caminhão de lixo fazendo menos da metade do barulho que os nossos fazem, no arranca – pára – arranca!

A intenção é fabricar uma edição limitada e cem unidades, pelo dobro do preço, para os clientes que se interessarem em participar do projecto, com previsão de entrega até 2013. Serão vendidos em treze países, todos europeus: Suécia (lógico), Noruega, Dinamarca, Finlândia, Reino Unido, Alemanha, Áustria, Suíça, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.  Decerto que os 30% de economia de combustível prometidos são atraentes, bem como a respectiva economia de lubrificante e componentes mecânicos, que serão poupados pela ajuda eléctrica, mas o que deverá atrair mesmo é o mote ecológico, que mesmo no Brasil já dá lucros.

Agora, por que eu me alegro com o advento de uma versão que não será vendida aqui? Porque o sucesso do bruto é certo, o preço tão mais alto é resultado não só do sistema híbrido, mas também da pequena tiragem, ainda que os lucros à Volvo sejam muito pequenos ou nulos. Assim como não demorou para os Mercedes Axxor e a nova linha Scania (hoje sob a batuta da Volkswagen) desembarcarem por cá, a produção em grande escala do FE é questão de pouco tempo, quando então os frotistas brasileiros poderão se assanhar para desfrutar do baixo custo operacional. As baterias, tanto alcalinas quanto ácidas, estão barateando mais depressa do que o previsto, assim como os sistemas de regeneração por frenagem e oscilação dos amortecedores. De resto vocês podem sonhar que provavelmente estarão exagerando bem pouco. Um FE custando menos de 50% mais do que um FH correspondente é plausível, para 2015 ou antes. Mesmo no Brasil. Queira o governo federal ou não.

Abaixo um vídeo do FE sendo testado pelo serviço de coleta de lixo em Londres.

Para quem nunca viu, assim é recolhido o lixo no primeiro mundo, mesmo com crise especulativa assolando as bolsas:

Mais vídeos sobre o FE, cliquem aqui.

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