Por cerca de R$ 3.120,87 (sem frete) tu podes tirar uma motoquinha eléctrica da loja. Trara-se da VIP, da Kin Motors (aqui). Apesar do desenho arrojado, o leitor não deve se empolgar, ela é para tarefas leves. Dê uma olhada nos pneus, pequenos e fininhos, e verá que não são para carregar carga, como muitos fazem.

As dimensões da VIP já mostram sua vocação pacata: 1,74m de comprimento, 65cm de largura e 1,16m de entreeixos. Esta medida, aliás, a torna imprópria para a sanha dos preparadores. É perfeitamente possível e relativamente simples, envenenar um veículo eléctrico, mas com as rodas tão próximas o piloto beijaria o asfalto no primeiro descuido.

Ao contrário da Prima Electra (aqui), que custa R$ 5.400,00 e despeja 2,72cv no asfalto, a VIP não gosta de aclives mais íngremes, de gente mais robusta nem de tocadas esportivas. Ela tem dois módulos de desempenho, a Cruzeiro roda 40km sem recarga, a Rápida é só para percursos muito curtos em que potência extra seja sinônimo de chegar inteiro ao destino. Potência, aliás, não é o forte dela. Os 0,350kw (0,476cv) a 380rpm a levam a 40km/h, que no modo Cruzeiro permite rodar por até uma hora. Girar tão baixo compensa a pouca ousadia do motor sem escovas, que aplica 4,5kgfm ao eixo motriz. Com isso ela é boa de arranque, o bastante para os ônibus não te atropelarem na saída do semáforo. Se fores baixo e leve, consegues um pouquinho mais de rendimento, já que o padrão usado para testes de desempenho é 1,75m de altura e 70 ou 75kg para o piloto. Meus 1,58m e 60kg me dariam alguma vantagem. Mas para todos há a comodidade da motorização eléctrica, que dispensa caixa de marchas, mesmo as automáticas, assim é só ligar a pequena e sair para o compromisso.

Como na Kasinski, ela utiliza baterias chumbo-ácidas, na Kin são 48V e 12Ah. Por que não íon de lítio?  Porque baterias de chumbo são mais fáceis e baratas de se reciclar, dispensam qualquer precaução complicada. As íon de lítio precisam ser desmontadas próximo ao zero absoluto, porque o lítio é extremamente reactivo e tóxico, tanto que a Toxco (here) é a única empresa no mundo plenamente capacitada a fazer o serviço completo, que é caríssimo e patenteado. Já as de chumbo, há recicladoras até em bairros residenciais, embora pequem em muitas questões ambientais são incomparavelmente mais seguras. A recarga completa é em oito horas, mas as baterias de chumbo acumulam a vantagem da amnésia energética, pode enfiar em qualquer tomada 110v ou 220v para pequenas cargas, enquanto vai ao caixa do banco.

Alguém que se acostumou a ler meus artigos vai se lembrar e perguntar “As baterias são as espiraladas?”. Eu respondo: Acredito que não. 48V X 12Ah dão, 576W. Se fossem de placas espiraladas, que têm ciclo extremamente profundo, poderiam debitar até 0,5kwh (0,68cv) sem medo, que tornariam a VIP mais veloz, rápida e autônoma. Mas os 0,35w só dão para uma hora, talvez 1h10min com este nanico que vos escreve, ao guidão, de onde deduzo que são baterias de alta qualidade, não são a Optima (ei-las). Valeria à pena? Elas custam cerca de R$ 1.000,00 /cv no varejo, no atacado, importando directo dos Estados Unidos, talvez saíssem por R$ 350,00/cv. Mas talvez precisassem utilizar outro motor, para essa bateria, demandando um reprojecto que está fora de questão no caso. Mas eu faria a troca.

Pelo preço que pede, a VIP oferece baú, porta-luvas e rodas de liga de alumínio em quatro cores. O site da Kin tem (aqui) uma lista útil de perguntas mais freqüentes, incluindo andar na chuva e questões de assistência técnica.

Compensa? Francamente? Eu ficaria com a Prima. Eu preciso rodar mais, teria como rotina que dar carona, enfrento aclives mais íngremes e moro em Goiânia. A Kin só tem lojas em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Para o meu caso, compensa pagar os R$ 2.300 a mais pela Kasinski, para o teu caso (e da maioria) provavelmente compensam menos de meio cavalo e quarenta quilômetros de alcance. Se moras em condomínio fechado, longe do centro, e precisas atravessar boa parte de uma metrópole, esqueça-a. Se teu destino está a até vinte e cinco quilômetros e não precisas enfrentar caminhões em vias expressas, então pode encomendar.

Aqui um vídeo (merchand indisfarçável) da VIP no Ana Maria Braga:

Aqui a Prima Electra:

A diferença de porte entre as duas é gritante, tamanha que são claramente para consumidores totalmente diferentes.

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