Saiu o novo número electrônico da electric & Hybrid, que pode ser visto e baixado clicando aqui.

O maior destaque é para a insistência da Rolls Royce em desenvolver seu protótipo eléctrico 102EX. Os antes míseros 160km de autonomia, que fizeram uns clientes rirem de deboche e outros de indignação, aumentou para mais de 200km. Ainda é pouco, se levar em conta que o Tesla Model S roda 400km por uma fração do preço, mas devemos nos lembrar do quanto a Rolls Royce é refratária a mudanças, deve estar tateando com cuidado cirúrgico esta nova tecnologia. A máxima é limitara electronicamente a 160km/h.

Os números ficam ainda mais acanhados quando comparados ao potencial do carro, são óptimos 290kw (394,4cv) e brutais 81,58 kgfm de torque. Com essa cavalaria toda ele faz de 0 a 100 em menos de oito segundos, impressionante para um palacete motorizado de 2,7 toneladas. Se considerarmos que ele carrega 640kg da melhor bateria de lítio existente (Lítio-Níquel-Cobalto-Maganês-óxido) que fornecem 71kw (96,56cv), nem o peso, nem o preço especulado em quase quatrocentos mil dólares assusta tanto… A quem se habituou a comprar carros da estirpe, é claro.

A tração é traseira, com o motor ligado ao diferencial e potencialmente regenerativo, com relação de 6,5:1. Aliás, os freios têm mais torque regenerativo do que muito carro tem no motor, são 120nm (12,237kgfm) ao menor toque no pedal de freio. Em qualquer outro carro, isto significaria beijar o pára-brisas ao menor descuido com o cinto de segurança, em um Rolls significa levar uma bronca do computador de bordo por não atá-lo direito. Frenagem brusca está fora do contexto nesta marca.

As embalagens das baterias foram desenhadas para ele e suportam mais abusos do que as pilhas plebéias, para elas tanto faz monofásico ou trifásico, só que nesta a recarga total se dá em oito horas, naquela em vinte horas. Não foi informado a que velocidade se aferiu a autonomia anunciada, se foi em velocidades de cruzeiro européias, nós podemos acrescentar no mínimo cem quilômetros para uso em solo brasileiro.

A desvantagem do 102EX, é que todo Rolls já usa alumínio em sua construção, de pára-choque a pára-choque, então há pouco com o que reduzir massas para melhorar seu rendimento. Uma extravagância seria pensar em um modelo com estrutura em fibra de carbono, algo exótico para a fleuma da marca, mas não tão que seja descartado. Ele poderia perder bem uns 200kg com ele na estrutura de resistência, mantendo a carroceria com a elegância do alumínio.

Não se fala em prazos, mas com a rapidez com a qual o desempenho melhorou, não está distante o dia em que um magnata qualquer não sentirá realmente diferença nenhuma entre o seu Rolls Royce novo, e os então antigos à gasolina, nem na autonomia; porque em silêncio e maciez a Dama Voadora já deixa todo mundo no chinelo há mais de cem anos. A necessidade de tamanho empenho foi explicada com a serenidade típica dos britânicos, eles não poderão fabricar um V12 de 6,75l para sempre, um dia terão que deixar suas prensas apenas para peças de reposição, para sempre.

Ávido por exclusividades, o público da marca acabará sendo consumidor também das placas photovoltaicas originais Rolls Royce, do carregador original, do gerador de altíssima eficiência original… Pensando bem, esse carro será uma vaca premiada para a BMW, proprietária da Rolls Royce.

Houve quem perguntasse se havia planos de um Rolls Royce com ciclo diesel. A resposta elegante foi “Não, obrigado”.

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