Altamente eletrificável!

O mercado de carros eléctricos no Brasil ainda é quase inexistente, mas sabemos que é por pura falta de oferta a preços razoáveis. Quase todos os setenta e dois carros eléctricos licenciados em território nacional (aqui e aqui) são de frota, incluindo os 58 da Fiat/Iveco que a Itaipu produz com motores Weg. Só um é de pessoa física. Híbridos já são 127, graças ao Fusion Hybrid, com cento e seis unidades.

E por falar nela, com a experiência ganha neste consórcio, a catarinense Weg decidiu (aqui) meter-se no ramo de motores tracionários, geradores e inversores de freqüência. O empréstimo já foi tomado e não tem mais volta, ainda que em um surto de loucura desista da empreitada, pagaria as custas e honorários contractuais.

Mas há diferença entre um motor comum e um tracionário? Sim, há. Todos os motores com rotação variável servem para uso automotivo, mas um motor específico precisa atender a necessidades que não existem na aplicação estacionária, como leveza, ser compacto, mais resistente a vibrações, isolamento para grandes variações de corrente, além de peculiaridades de cada modelo em particular.

Os motores das furadeiras mais modernas seriam os mais apropriados, dos disponíveis no mercado varejista, para uso automotivo. São motores eficientes, compactos e mais leves do que a maioria, pois precisam ser suportáveis para o operador. Mas onde vamos encontrar uma furadeira que fucnione de 0 a 3000rpm e gere ao menos 20cv? E encontrando, quanto custaria essa monstra?

A empresa está indo com a cara e a coragem mesmo, porque o mercado ainda é incerto, e pelo prazo comunicado para até fim de 2013, já existe algo pronto já há algum tempo; ou seja, já gastaram muito dinheiro no projecto para voltarem atrás. Montadoras e fornecedores já foram contactados, apesar de especialistas em especulação financeira considerarem a iniciativa arriscada. Já há uma boa experiência tembém com híbridos, quando a Weg trabalhou no ônibus mascarello de motorização em série para a  Itaipu.

No website da empresa (aqui) não encontrei menção à notícia, talvez porque ainda seja muito recente e não queira eriçar seus clientes. Mas quando houver algo de concreto a ser informado a revista trimestral da empresa (aqui em pdf) certamente dará os pormenores. Aliás, o próximo número não deve tardar.

Havendo êxito na empreitada, teremos finalmente um motor leve e eficiente a preços mais razoáveis, não só para as montadoras, mas também para conversões combustão-híbrido ou combustão-eléctrico.

Até lá dá para se fazer algo? Depende de teus conhecimentos e teus recursos. Um cilindro de motor refrigerado a ar, como o do Fusca, é mais leve do que a maioria das carcaças de motores eléctricos, além de ter uma área aletada (para refrigeração) bem grande, pode servir para abrigar motores pequenos. Para os maiores seria fundir uma carcaça de alumínio, mas os custos crescem e nem todas as fundições (na verdade poucas) têm condições de fazer um serviço de boa qualidade.

Eis como uma brincadeira dessas pode unir a família, nem que só para tirar sarro: Ok, este certamente foi arrematado de um ferro-velho para servir de gambiarra, mas é algo que projectos como o da Weg prometem tornar mais acessíveis. O Corsa logo sairá de linha, pensem a respeito.

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