Mais uma colaboração de Daniel ao Página de Nanael.

Eis o Leaf, ao vivo e a uma só cor.

Ele esteve no Nissan Inova Show e degustou o Leaf para nós. Não gostou do ciruito, para ele é meia-boca, no estacionamento do Shopping Iguatemi, pelo que vi reconheço ser de baixa velocidade e curta duração, não dá mesmo par aproveitar os carros. Ou seja, é só para degustar mesmo.Bebedouro é a vovozinha!

O postinho branco não é um bebedouro, é o posto de recarga rápida, 440v. Um opcional que reduz o tempo de recarga até pela metade, mas em excesso compromete a vida útil das baterias. Mas quem compra esse trambolho, que deve ser bem caro?  Bem, quem compra um carro eléctrico, nos dias de hoje, está menos preocupado com o bolso do que com ecologia e inovação tecnológica. Para executivos e médicos o aparelho poupa um tempo precioso.

O radiador foi uma surpresa para ele, porque o motor do Leaf é, como o WEG que equipa os Fiat eléctricos, de refrigeração líquida. Nota do nosso coladorador, isto facilita o aquecimento interno sem necessitar de aparelhagem específica, algo muito importante na região sul. Em muitos países se utilizam aquecedores à combustão à bordo.

Abra a boquinha!

O Fusca, até início dos anos setenta, tinha uma “marmitinha” para recolher o calor do escapamento, e era muito calor. Mas um motor eléctrico esquenta bem menos, embora eu creia que seja viável.

Eis os plugues de recarga, para 440v ou 110/220v. Ficam naquele “narizinho” na dianteira, que abriga o logo da Nissan. Há mais simplicidade e menos riscos na recarga do que no abastecimento com combustível. A tomada maior é para 440v, a menos para recarga comum, de 110 ou 220v.

Interior quase normal, não fossem os pedais.

O interior é elegante, com um tom de bege bem agradável aos olhos, que descansa e ajuda a iluminar o ambiente. Fora a alavanquinha minúscula no console, que só tem três posições pois o carro não tem marchas, Daniel estranhou os pedais, só os de freio e acelerador, que ficam muito à direita. O “torque de diesel” (sic) e a ausência de engrenagens roubando energia ajudam na condução.

Não, tia, não tem marchas.

Quem tem carro automático se adaptará rápido, já a maioria ficará algum tempo com o pé esquerdo e a mão direita coçando. Nosso colaborador relatou de gente que pensou ser câmbio seqüencial… E tem gente achando que essa caravana é só marketing! É também marketing, mas o povo tem que aprender a lidar com o que verá nas lojas em breve.

O grupo Renault-Nissan está realmente decidido a trazer seus eléctricos até fim do ano que vem, com ou sem a ajuda do governo federal.

Quase um furgão.

A Nissan divulga mais de 400 litros de capacidade para o porta-malsa do Leaf. Bem, com esse piso baixo e regular, ausência de estepe e altura da linha de cintura, é fácil que seja mesmo. Com os bandos traseiros rebatidos tornar-se-ia um furgãozinho. Mas dá pena usar um carro de (até o momento) R$160.000,00 como veículo de carga, não dá?… Não. É só forrar um carpete e meter bronca, que carro é para isso mesmo. Carro dura mais sob uso comedido do que parado, basta dar manutenção como se deve.

Furou? Use o reparador e siga viagem.

Ah, claro, quanto à falta do estepe. Há uma maleta com um kit de reparos rápidos, muito comum na Europa, onde o “pneu suplente” está quase que totalmente aposentado. Basta injetar o selante e ligar o compressor na saída de 12v. Só não dá para comparar as condições de rodagem européias com as brasileiras! Vantagens? Menos peso, menos volume, menos custo de fabricação e dá para se ter vários no carro, porque é fácil de guardar. Sim, leitores, o Brasil está atrasado até nisso!

Lá vem o sol, tchuru-ru-ru...

Bem, para o grosso da população que  não sabe, a maioria dos carros eléctricos tem dois sistemas eléctricos, um motriz e um operacional.  Aquele monte de baterias de altíssima potência é só para o motor. Para o sistema eléctrico interno há uma menor, geralmente de 12v, como no Leaf. A versão SL tem um pequeno painel solar na asa da tampa traseira, justo para ajudar a recarregar essa bateria. Já explicamos aqui dos custos e da baixa eficiência dos painéis solares. O do Leaf é pequeno, mas algumas horas ao sol, com o dono se estressando no trabalho, ele consegue uma boa carga.

Algo mais: Há uns óculos especiais com câmera e telas embutidas, para o participante assistir a um vídeo institucional. São pesados e podem escorregar no nariz, como Daniel reclamou. Bem, isto estava previsto e divulgado desde o início, só não imaginei que os óculos fossem tão anti ergonômicos.

Mais uma cousa: quem participa, pode acabar sendo entrevistado e filmado, para publicação no perfil da Nissan no Facebook, com link no texto logo abaixo. Quem for tímido, já esteja avisado, mas peço que dê um nó na timidez e passe sua impressão, porque é com ela que as devidas alterações serão feitas nos carros, e a divulgação da mobilidade eléctrica será fomentada.

O Daniel notou uma falha no texto que pode levar a uma conclusão equivocada, então aviso: Os óculos incômodos não vêm com o Leaf, são só para assistir ao vídeo institucional da caravana.

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