Com desconto é muito melhor!

Os professores da UERJ, Luiz Pecorelli e José Domingues, vêem na Medida Provisória n° 540 (aqui) uma porta de entrada para a produção dos veículos eléctricos no Brasil. (aqui e aqui)

A MP visa reembolsar o fabricante, até o ano 2016, por parte do IPI pago, até cento e oitenta dias após a emissão da nota fiscal. Ainda prevê o desconto nos encargos sociais pela importação de insumos e tecnologia para o aprimoramento da produção.

A idéia é utilizar os incentivos para que as montadoras incluam, como algumas já têm planos, a produção de versões eléctricas de seus carros. A Renault já confirmou Mégane, Twizy e Kangoo eléctricos para o Brasil, mesmo antes de a presidente sonhar em editar a Medida Provisória, que Deus queira se torne tão provisória quanto o IPVA, quando este foi criado. Para a alegria de Ghons, eles também serão beneficiados. Um Twizy básico (de 5cv a 17cv, 80km/h e 100km de alcance e já confirmado para 2012 no Brasil) custa menos de cinco mil euros na Europa, esta versão dispensa a habilitação em vários países. Chegaria aqui pelo preço do Mille (aqui) sem os incentivos. Podemos esperar que vinte mil reais (aqui) tirem um da loja, pois dificilmente o brasileiro concordará em alugar as baterias, vai querê-las à bordo. Mas podem esquecer a isenção de habilitação, aqui ela é necessária não importa a potência do carro. Vai concorrer com as motocicletas? Para boa parte do público sim.

Alguns se perguntam os motivos de não dar o desconto prévio, em vez de reembolso. Afinal este não impede desvios e outras armações do gênero. Claro, mas deixa pistas mais claras da infração. A pessoa jurídica (ou seja, não adianta reivindicar desconto por importação independente) precisa fazer a contabilidade (aqui) e se reportar à Receita Federal para conseguir o benefício. Os riscos de um ilícito ser descoberto são maiores.

E os carros da Edra e Itaipú? Com insumos barateados, podemos esperar ver um nas ruas de vez em quando.

Mesmo sem querer, a presidência acaba por beneficiar todos os nossos parceiros comerciais, porque o Brasil tem todas as condições de se tornar um paraíso para os eléctricos e híbridos, não só por causa da matriz energética, mas também porque esses parceiros estão desenvolvendo rapidamente posto solares de recarga que serão muito bem aproveitados em nosso território. O Focus eléctrico terá um, como opcional.

A simpatia que a classe média e as mais abastadas demonstram nas caravanas da Nissan e da Chevrolet, além de importações particulares, mostra que o potencial incalculado de nosso mercado interno é muito grande, talvez maior do que o americano, que ainda está apegado aos (confiáveis e tradicionais) motores V8. A General Electric (que não é subsidiária da GM) está desenvolvendo motores de alta eficiência (aqui) que dispensam terras raras, como o neodímio, o sucesso dos eléctricos no  Brasil pode animar os acionistas a abrirem mais a carteira.

Sim, já podemos devaneiar um pouco, mas com os pés no chão; não confio em governo nenhum.

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