O 500 plug-in já está a caminho... Mas não para nossos bolsos.

Gostaria que os fãs do governo (prefiro ser fã da Mulher Maravilha a ser fã de qualquer governo) parassem de cair ensandecidos sobre quem aponta falhas crassas, e passassem a cobrar conduta compatível auxiliares. Na verdade seria melhor trocar tudo por técnicos e administradores, que tenham ao menos um pé na realidade e saibam o que está sendo feito pelo mundo.

Falo agora de uma imensa asneira dita em rede nacional pelo ministério da fazenda, na pessoa do secretário Nelson Barbosa. Ele alegou que dar incentivos ao carro eléctrico seria incentivar a indústria estrangeira, conforme pode-se ver aqui na Globo News. Não tratarei da demonstração de alienação de quem não conhece assuntos alicerçais de sua pasta, como a tecnologia estratégica que colocou a China em destaque econômico e prestígio mundial, me aterei a um breve comentário de demonstração em contrário.

Temos instaladas no Brasil montadoras que já produzem eléctricos e híbridos lá fora: as americanas General Motors e Ford; as européias Citröen, Peugeot, Renault e Mercedes-Benz; as japonesas Honda, Nissan e Toyota; além de pelo menos duas nacionais, Edra e Electra, esta já calejada e especializada em trólebus… Leiam bem o que escrevi: duas nacionais, Edra e Electra. Temos duas empresas nacionais em pleno exercício e aptas a atender às necessidades internas. Nem falo da competência comprovada do consórcio Fiat-Itaipu; aliás, o Barbosa sabe que a Itaipu é estatal nacional?

O que poderia ser feito para que haja produção interna em massa por parte das estrangeiras já instaladas:

  • Taxação dos veículos similar aos moldes europeus, pela potência de suas baterias, aliada à taxação normal por cilindrada existente no Brasil, no caso dos híbridos; que é tosca, mas por enquanto é o que temos;
  • Conceder a retirada gradual da taxação abusiva, atrelando-a ao cumprimento de prazos de nacionalização dos veículos importados, ou desenvolvimento e/ou oferta de versões eléctricas ou híbridas do leque já produzido;
  • Dar incentivos reais à importação de insumos e maquinário para o desenvolvimento de tecnologia nacional;
  • Chamar de volta as mentes pensantes que viram indicados políticos tomarem seus lugares no primeiro escalão do governo, para que ajudem a acelerar e atenuar nosso imenso atraso;
  • Prestigiar as empresas que já fabricam e convertem em território nacional, algo que o governo parece pensar que não temos;
  • Com a produção já instalada, passar a incentivar a importação de matéria-prima e insumos, em vez de tecnologia pronta.

O mercado só é incipiente porque o governo, apegado à futilidade burocrática que tantos empregos supérfulos ajuda a manter, impõe taxas sobre taxas em grande número a productos que, por serem ainda poucos, fazem essa prática agiota render vinténs, sem fazer diferença significativa para o erário.

Não trata-se de abrir as pernas para as importações como Collor fez. Trata-se de dar às empresas já instaladas condições de trazer de fora, em um primeiro momento, aquilo de que já dispõe, para que a demanda decida que modelos podem ser montados primeiro. A Renault já demonstrou que acredita no Brasil muito mais do que o ministério da fazenda, porque já confirmou a vinda de seus eléctricos, com sobretaxa em cascata e tudo. Quer saber? Todos a quem falei a respeito disseram que pagariam o preço maior pelo Fluence eléctrico, mesmo com a autonomia limitada.

Chevrolet e Nissan, caso o ministério não saiba, estão com suas caravanas a pleno vapor pelo país, e Brasília está inclusa no roteiro de ambas. O eléctrico Leaf e o híbrido (nem vem que não tem, GM!) Volt estão deixando fãs por onde passam. Mesmo custando muito caro, em caso de importação, já vi gente insistindo para que as marcas os tragam, assegurando a compra.

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