Para eles é um troféu, para nós uma lição.

Khadafi é quase uma unanimidade negativa como governante, mas em matéria de automóveis, ele deixa muito profissional no chinelo.
Mesmo tendo sido um ditador do petróleo, ele se deu o luxo de encomendar um Fiat 500 (aqui e aqui) e mandar customizá-lo ao seu gosto e sob sua supervisão, sob os cuidados do estúdio Castagna… e convertê-lo para tração eléctrica.
Com autonomia de até 260km e máxima de 160km/h, empurrado por 46,24cv, o Cinquecento tem coluna B, mas a lateral é totalmente aberta.
A boa autonomia, aliada ao pacote majestoso de luxo e requinte, dão-lhe massa de carro grande, são 1500kg, quase dois Milles. Preço da brincadeira: US$ 155.000,00. Muito barato, asseguro, para um modelo único e com essas características de luxo e desempenho, ainda mais eléctrico.

E vejam que ironia, e vergonha para nós, o petroleiro Khadaf é entusiasta dos carros eléctricos. Até ele sabe que o petróleo vai acabar e só com biocombustíveis os motores à combustão continuarão funcionando. Se estiver actualizado, e me parece que está, com o assunto, já especulou sobre a queda dos custos da mobilidade à baterias e capacitores. Pena que sua megalomania nos privou de uma mente tão promissora para o ramo automobilístico. Ele teria mandado fazer uma frota, esta que ficará para o serviço do novo governo, ou ser leiloada para ajudar a reconstruir a Líbia.

A cena dos novos líderes líbios empurrando o carrinho pode ser constrangedor, que os 34kwh das baterias deveriam estar em boas condições, mas provavelmente o ex-ditador as utilizou para suprir a falta de energia, decorrente dos ataques. Repor a carga agora é fácil, já deve ter civís experimentando o brinquedo. Enquanto eles usufruem, nós esperamos na inoperância de nossos ministérios.

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