Mais uma dica (aqui e aqui) do leitor Daniel, que supre parte da minha falta de tempo.

A Brabus decidiu não esperar que a Mercedes-Benz tenha total confiança e lance seu Eléctrico puro. Decidiu fazer ela mesma o carro. A plataforma escolhida foi o Classe E. Equipado com um hubmotor em cada roda de 19 polegadas, com potência nominal de 68cv (109cv de pico), cada um com apenas 31kg, 49cm de diâmetro e 11,5cm de espessura, o pico de torque é de absurdos 326kgfm. Para um desempenho normal, o carro poderia ter16 toneladas, como tem apenas um oitavo disso, ele faz de 0 a 100km/h em 6,9s e alcança 220km/h. A autonomia é de 350km, andando em velocidade de cruzeiro de 100km/h.

Em uso normal, o sistema de frenagem recupera quase 70kWh para as baterias, ou seja, quase 95cv, suficientes para o full electric rodar uns 180km. A suspensão regulável foi desenvolvida em conjunto com a Bilstein.

A versão híbrida tem soluções mais acanhadas, estranhamente preferiram fazer um híbrido em série, onde os motores eléctricos auxiliam o diesel (E 220 CDI Turbodiesel) de 200cv e 45,9 kgfm, todo original de fábrica. Os dois eléctricos também embutidos nas rodas, também de 19″, acrescentam até 216cv e 163kgfm em uma arrancada. Assim ele faz de 0 a 100km/h em 7,4s e atinge 220km/h. Apenas com as baterias de íon de lítio (18,6kWh, ou 25,29cv) ele roda até 120km. Certamente para os mais conservadores, ou temerosos de ficar no meio do caminho.

Agora os leitores que vivem caindo aqui ao buscar “íon de lítium”, ou “Já se fabrica carro elétrico?”, vão indagar a respeito dos números. Dão a entender que uma preparadora (relativamente) autônoma confia em seu taco muito mais do que as montadoras. Sim, é verdade, a praga dos departamentos de marketing, que por sua covardia abriram caminho limpo para os chineses, têm medo até que um incêndio criminoso afete a imagem da marca.

A Brabus (Como a Abarth) não é uma preparadora qualquer, é ela que apimenta os Mercedes-Benz para as pistas e tem status (praticamente) de montadora. Tem um nome a zelar e não o arriscaria apenas para ter mais desempenho, a clientela é tão selecta quanto a dos grã-luxo da Baimler-Benz. Para ela o lema “dura pouco, mas enquanto dura ninguém pega” não serve, lá dentro é “Dura e ninguém pega”. Assim como os sistemas de alimentação de um motor à combustão, as melhores baterias também perdem capacidade com o tempo, o que quase não compromete a qualidade do serviço. O problema é que (em valores de hoje) sai muito caro substituí-las, questão que está sendo atenuada mais rapidamente do que o mais aloprado entusiasta poderia prever. Em menos de três anos vi o custo ao consumidor cair pela metade.

As grandes montadoras sempre foram lentas, muitas vezes se beneficiando de pesquisas e aprimoramentos de independentes. Não tenho dúvidas de que a Mercedes-Benz está de olho no virtual sucesso de sua preparadora oficial, para em dois ou três anos lançarum Classe S plug-in puro para rodar 600km ou mais.

Agora, quanto custam estes carros? Não sei. Mas custam o que seu público pode pagar, o que ainda me exclui. Em ambos os modelos, a edição é limitada, ainda sem quantidades reveladas.

Para quem não tem a pequena fortuna, que aumentou com a estúpida conivência do governo com as acomodadas montadoras locais, mas dispuser de uma boa soma e fizer questão de um plug-in em casa, tem o Smart Fortwo (aqui) que passou por longos testes até ser lançado. Faz de 0 a 100km/h em bons 13s e atinge 120km/h, limitados electronicamente. A autonomia de pelo menos 140km varia bastante com o tipo de condução. Acompanha opcionalmente uma bicicleta eléctrica (original de fábrica) de 250W, que tem entrada para um smartphone, e se encaixa perfeitamente na grade que é encaixada traseira do carrinho.

As chances de os Classe E preparados virem são irrisórias, inclusive porque terão edições limitadas, mas eles servirão como laboratório para os futuros Mercedes-Benz híbrido e toto-eléctrico de linha, suja produção seriada reduzirá bem os custos. Até lá, o Smart eléctrico é o único com chances reais de curto prazo a desembarcar em terras brasileiras. Importaram um iMiev por duzentos mil, não importaram? Então…

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