Pelo menos poderemos importar com menos taxações...

Não, meus amigos esquerdistas, não estou dizendo que a presidente da Argentina é melhor do que a nossa, e o que direi aqui nada tem a ver com opinião, é fruto de meu cabedal, meu conhecimento técnico, acumulado em quase trinta anos de ramo nesta praia, mais tempo do que a maioria de vocês tem de idade em seus corpos, bem como do endosso que tenho de técnicos tarimbados e engenheiros mecânicos, com quem converso sem constrangimentos, então não cabe fazer protestos de desagravo por este artigo.

A Argentina passou o Brasil de novo, ela terá sua fábrica de carros eléctricos. O Uruguai já o tinha feito, montando em CDK os prosaicos, mas versáteis, utilitários tri e quadriciclos em forma de automóveis, com peças da China; ainda hoje não se sabe de um incidente grave com esses carros de três rodas, não por causa de sua configuração.

Pois nuestros hermanos argentinos foram além da simples montagem, eles terão em breve uma fábrica da BYD, para produzir a estrela da marca, o e6, que já foi objecto de um artigo aqui. Aliás, não só os carros como também as baterias de lítio serão fabricadas lá.

Alega-se que o tamanho do Brasil dificulta a implementação de uma política e infraestrutura de carros eléctricos, que a Argentina não tem foco em um combustível específico e que o nosso forte é o bio combustível… Tá. Os Estados Unidos devem ser um país minúsculo, não? Realmente, é um país pequeno, só ligeiramente maior do que o nosso. Também está cientificamente provado que combustíveis vegetais impedem a venda de carros eléctricos, que só devem poder ser carregados em tomadas especiais ultrassofisticadas, que demandam uma estrutura gigantesca e caríssima para cada uma.

Meus amigos, um carro eléctrico é muito beneficiado por carregadores específicos, mas qualquer tomada de 110v ou 220v pode abastecer um carro eléctrico. Se tua carga estiver baixa, e houver um posto de combustível, podes plugar em uma tomada desocupada e pagar o preço do kWh normal ao frentista, sem medo de estar sendo ‘esperto’ ou pagando mais do que vale. Não precisa de infra estrutura nenhuma, o impacto de uma frota de carros eléctricos no Brasil seria pequeno para nossa matriz geradora, simplesmente porque eles consomem ridiculamente pouco, com certeza uma casa de classe média consome mais do que um Leaf em uso normal, nem por isso o governo limita a quantidade de electro-electrônicos que uma residência pode ter, nem a potência dos mesmos.

É papo furado, conversa de quem não quer fazer e dá desculpas esfarrapadas para o povo leigo, que é incentivado a permanecer na ignorância. Não é preciso desenvolver tecnologia específica para atender ás necessidades de quem compraria um carro eléctrico, ela já está pronta e entrando na segunda geração, a da padronização dos carregadores públicos. Bastaria importar que o potencial consumidor do Brasil baratearia cada unidade pelo volume da compra. Aham, vão me dizer que os usineiros esperaram o povo comprar o carro á álcool para depois começarem a produzir o combustível?

Fora motocicletas, motonetas, scooteres, bicicletas eléctricas e até alguns aviões, há mais de três milhões de carros eléctricos circulando pelo mundo. Se for incluir tudo, nosso vexame é incalculável. Mais aqui e aqui.

Apesar de tudo, a perda não é total. O mercosul está moribundo, mas ainda vive, temos um acordo com os outros três países e poderemos importar o e6 (como poderíamos importar os carrinhos uruguaios) sem as toneladas de impostos, taxas e burocracia supérfula que encarecem em excesso o Leaf e o Volt. Apesar de o governo não ter interesse nenhum em electrificar e hibridar nossa frota, a BYD tem interesse e planos prontos (aqui) para nos mandar seus eléctricos. Aliás vale lembrar que os carros uruguaios foram isentados do novo IPI (aqui) e a Argentina pode muito bem exigir formalmente igualdade de tratamento, senão o Brasil se faz de Joãozinho-sem-braço e cobra o que não deve.

Zap Truck, derivada da Towner.

Xero e Zaptruck, só para uso urbano.

Analisando bem, que estrangeiro com o juízo em dia montaria uma fábrica no Brasil com todas as operações, se pode dividir com nossos vizinhos de cargas burocrática e tributária menos obscenas? Grande parte dos carros ‘nacionais’ que circula no Brasil é de ‘echo en Argentina’ e quase ninguém sabe… Quer dizer, os argentinos sabem muitíssimo bem.

Por falar nisso, o Uruguai já exporta seus carrinhos eléctricos. O próprio presidente Pepe tomou posse em uma picape cabine dupla eléctrica montada lá, em vez de um carro de luxo importado; a campanha eleitoral dele foi à bordo de um humilde Fusquinha, que acabou se tornando um símbolo de seu governo (aqui e aqui). A picape em que ele tomou posse é uma FAW, que já desembarcou por aqui só à combustão, que chega a 90km/h e roda 105km a esta velocidade, podendo ser recarregada em cinco horas e meia, em uma tomada de 110v. O preço parte de cerca de U$ 20.000,00… Oi, Kombi! Eles também convertem chinesinhos da Cherry (como aqui) para rodar à bateria, já que quando quebram, pode sair mais barato converter do que consertar.

Pepemóvel.

Até quando a cegueira de nossa presidente, herdada de todos os seus antecessores, vai nos privar de sermos grandes exportadores de veículos que têm tudo a ver conosco, não sei, sei que até lá os nossos vizinhos hão de nos socorrer, claro que ganhando muito com isso.

Agora, que tal essa juventude antenada, disposta e patriota organizar protestos por biodiesel e etanol abundantes a preços justos, postos de GNV em todo o país, isenção de impostos para insumos para a fabricação de veículos eléctricos, liberação dos motores diesel para carros de passeio, a regulamentação de mini bugues eléctricos para uso urbano, quem sabe até para garotos de dezesseis anos, como são as motoquinhas importadas. Isto sim, despertaria a curiosidade da população para o que existe de bom lá fora e poria medo nos politipatas que nós sempre elegemos. Vamos, garotara, minha geração arriscou o pescoço para vocês terem o direito a isso, levantem e corram para uma causa justa.

Ei, Argentina, espere por nós!

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